Novas parcerias reforçam internacionalização e mobilidade
Nos meses de março e abril a UFMS firmou novos acordos com instituições da Argentina, Espanha e Itália que permitirão o desenvolvimento de ações em conjunto como cooperação técnico-científica e o intercâmbio acadêmico, científico, técnico e cultural.
Na Argentina, a parceria é com a Universidade Nacional de Três de Fevereiro (Untref), com previsão de intercâmbio de estudantes, docentes e pesquisadores; a promoção de projetos de pesquisa colaborativos, troca de informações, fortalecimento das relações institucionais entre os dois países e a contribuição para o avanço do conhecimento e a integração regional.
Na Espanha, a parceria já existente com a Universidade de Jaén (Uja) será mantida por mais quatro anos com o novo acordo, que tem como principal objetivo o intercâmbio acadêmico de estudantes de graduação e pós-graduação, além de estimular a mobilidade de professores e técnicos. A cooperação também abrange a participação conjunta em eventos acadêmicos, cursos internacionais e atividades de intercâmbio cultural, fortalecendo a formação acadêmica e a experiência internacional dos estudantes da UFMS.
Na Itália, o acordo firmado com a Associação Cultural e Científica Ccuola di Alta Specializzazione e Centro Studi per la Manutenzione e la Conservazione dei Centri Storici in Terreni Instabili Alta Scuola está voltado à cooperação nas áreas de inovação, arte, cultura e ensino, com ênfase também em temas ligados à preservação e conservação de centros históricos. A parceria inclui a realização conjunta de cursos, seminários, eventos acadêmicos, intercâmbio de estudantes em missões de curta duração e desenvolvimento de atividades científicas e culturais de interesse comum entre as instituições.
E também na Itália, a parceria com a Universidade de Cagliari (Unica) iniciou por meio de um protocolo de intenções e seguiu por meio do projeto de pesquisa Programa para uma epistemologia renovada das ciências humanas, coordenado pelo professor da Faculdade de Ciências Humanas (Fach) Weiny Freitas, e pelo professor da Unica Vinicio Busacchi.
Projeto
A iniciativa surgiu em 2023 a partir de um movimento liderado pelo Fórum de Humanidades de Mato Grosso do Sul sobre a importância da pesquisa em humanidades. Naquele ano, com a visita do professor Vinicio Busacchi na UFMS, foi firmado acordo de cooperação a partir do qual o projeto foi elaborado. O objetivo é investigar, de forma interdisciplinar e com base na reflexão filosófica, a relação entre epistemologia, valor social e existência cultural das Ciências Humanas. Como propósito central, busca-se propor uma nova abordagem epistemológica que contribua para a reabilitação social, cultural e científica dessas áreas do conhecimento.
Ao todo, a equipe multidisciplinar que desenvolve o projeto tem onze docentes e, até o momento, sete dos orientandos. Além de Weiny e Vinicio, participam também o professor da Faculdade de Artes, Letras e Comunicação (Faalc), William Teixeira; da Fach, Ana Karla Soares, Francesco Romizi e Maira Borba; da Faculdade de Educação (Faed), Tiago Duque; e da UFMS do Pantanal, Carolini Bezerra, José Henrique Palumbo, Romulo Santos e Tassio Bezerra. “Essa equipe, com sua diversidade epistemológica e experiência em diferentes programas de pós-graduação, estruturou uma pesquisa robusta. O projeto demandou tempo de elaboração e está em seus estágios iniciais, com uma extensa agenda de trabalho pela frente”, aponta o coordenador Weiny.
Por meio do projeto e da parceria com a Universidade de Cagliari, seis estudantes de pós-graduação da UFMS estão participando de uma mobilidade de curta duração nos meses de abril e maio na Itália: os mestrandos em Filosofia, Pedro Zanon e Priscila Silva; os mestrandos em Psicologia, Giovana Hipólito, Mônica Oliveira e Wanessa Oliveira; e o doutorando em Educação, Eduardo Valle.
O diretor da Aginter, Gustavo Cancio explica que a possibilidade surgiu a partir do programa Transnational Italian in Higher Education, no qual a Unica oferece bolsas para mobilidade com instituições parceiras com o objetivo de fortalecer a cooperação acadêmica internacional, especialmente nas áreas de estudos linguísticos, ensino de língua e cultura italiana, sociolinguística, estudos interculturais, internacionalização e cooperação.
Para o diretor, a mobilidade internacional na pós-graduação tem impacto direto e estruturante em três dimensões centrais: formação profissional, qualidade da pesquisa e avaliação dos programas. “Contribui significativamente para a formação dos pós-graduandos, ao proporcionar vivência em ambientes acadêmicos diversos, contato com diferentes abordagens metodológicas e acesso a infraestrutura e redes de pesquisa internacionais. Amplia competências técnicas e interculturais, além de favorecer a formação de profissionais mais qualificados, autônomos e preparados para atuar em contextos globais. No que se refere à qualidade das pesquisas, a mobilidade tende a elevar o nível das produções acadêmicas, seja pela realização de projetos em cooperação com grupos de excelência, seja pelo acesso a laboratórios, bases de dados e orientações complementares. Como resultado, observa-se maior potencial de publicações em periódicos de alto impacto, coautorias internacionais e desenvolvimento de pesquisas mais inovadoras e relevantes”, observa.
Quanto à internacionalização e às notas de avaliação dos programas de pós-graduação, especialmente no âmbito da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o diretor indica que é um dos critérios estratégicos. “A mobilidade internacional contribui para indicadores como produção qualificada, inserção internacional, cooperação institucional e visibilidade acadêmica. Programas com maior fluxo de mobilidade tendem a apresentar melhor desempenho nesses quesitos, fortalecendo sua avaliação e posicionamento no cenário nacional e internacional”, destaca.
O professor Weiny concorda que a mobilidade é fundamental tanto para os estudantes quanto para a Instituição. “Estamos falando de um mundo globalizado, uma sociedade inteiramente conectada, cujos desafios e especialmente as soluções não se darão sem uma articulação internacional. Precisamos de profissionais que tenham trânsito e experiência global, que entendam o mundo desse ponto de vista. E não poderia deixar de destacar a importância de profissionais da área de humanidades também. Esses problemas globais, quaisquer que sejam, não serão resolvidos pura e simplesmente com soluções tecnológicas e científicas, a partir de uma certa concepção tradicional que temos desses saberes. Os profissionais das humanidades são fundamentais para pensar e contribuir para a solução”, informa.
Sobre o impacto da iniciativa na qualidade das pesquisas, o docente ressalta que é imenso. “Ela propicia o contato com outras metodologias de pesquisa, com bibliografias atualizadas, com outro regime universitário, outra forma de pensar e trabalhar questões, o acesso às fontes, imagina o que há no acervo de universidades como a de Cagliari que tem cinco séculos? Tudo isso compõe um conjunto de experiências que podem qualificar diretamente a pesquisa. E sobre o impacto sobre o programa em si, há uma política clara hoje no Brasil para a internacionalização. Com essa parceria que proporciona a experiência de mobilidade, a UFMS está no caminho certo”, declara.
Experiência
Para a mestranda em Psicologia Giovana Hipólito a estadia na Universidade de Cagliari tem sido enriquecedora. “Estou muito grata pela oportunidade de ter vindo fazer um estágio de pesquisa em uma instituição muito prestigiada, com educação de qualidade, e com muito intercâmbio cultural. Estar aqui pra aprender mais o italiano, e entrar em contato com outros orientadores e pesquisadores vai acrescentar muito na minha pesquisa”, expõe.
O doutorando em Educação Eduardo Valle também tem tido vivências positivas. “Já pude conhecer a universidade, alguns professores e acredito que isso vai potencializar a qualidade da minha pesquisa. Tem sido interessante aprender uma nova língua, cultura, conhecer pessoas de todo o mundo que vêm estudar aqui, e também conhecer museus e outros lugares culturais. A Sardenha onde fica a Unica é muito rica. Para minha pesquisa o intercâmbio vai acrescentar bastante, principalmente porque estudei o escritor italiano Primo Levi e aqui estou tendo contato com a obra dele na língua original. Também vou poder pesquisar arquivos, documentação que só tem aqui na Itália, isso trará originalidade para meu estudo”, comemora.
“Essa experiência contribui significativamente para o desenvolvimento da autonomia intelectual, da capacidade crítica e do diálogo intercultural, elementos essenciais para a formação de pesquisadores comprometidos com a produção de conhecimento. A vivência em instituições estrangeiras também favorece redes de pesquisa, cooperação acadêmica e parcerias institucionais, fortalecendo a inserção da Faed em um cenário global. Dessa forma, a participação da estudante da pós-graduação em programas de mobilidade internacional deve ser incentivada e valorizada”, afirma a diretora da Faed, Milene Bartolomei.
O professor Tiago Duque, que orienta Eduardo, também diz que essa oportunidade irá impactar a vida pessoal e profissional do doutorando, bem como a trajetória de produção acadêmica dos programas de pós, especialmente os das humanidades. “Aprendemos que a trajetória de pesquisa não está separada das vivências pessoais e nem mesmo institucionais. A contribuição para a área da Educação é exatamente essa: um profissional qualificado intelectualmente e com um olhar complexo porque viveu experiências em diferentes contextos culturais e institucionais”, conclui.
Mais informações sobre as parcerias internacionais e possibilidades de mobilidade podem ser acessadas na página da Aginter.

